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Autor: Anna Maria Giaquinto

Arquitetura: A Próxima Batalha Competitiva do Setor Bancário

A Lacuna de Arquitetura: A Próxima Batalha Competitiva do Setor Bancário

A Lacuna de Arquitetura:

A Próxima Batalha Competitiva do Setor Bancário

Os bancos passaram a última década perseguindo a transformação digital. Aplicativos móveis, migração para a nuvem, onboarding digital e uma onda de pilotos de IA dominaram a agenda, e o investimento foi real. No entanto, muitas instituições ainda lidam com os mesmos problemas com que começaram: lançamentos de produtos lentos, jornadas de cliente fragmentadas, custos operacionais crescentes e pressão de concorrentes digitais mais ágeis.

O que está por trás de tudo isso é a arquitetura: a distância cada vez maior entre o que um banco quer fazer comercialmente e o que sua tecnologia e dados subjacentes realmente conseguem suportar.

Chamemos isso de lacuna de arquitetura. Ela raramente aparece em um documento de estratégia ou em um roadmap de transformação. Aparece na execução: um produto que deveria levar seis semanas leva seis meses, uma solicitação de rotina precisa de revisão manual, um piloto de IA não consegue avançar além do único caso de uso para o qual foi criado. No setor bancário essa lacuna está aumentando.

Como o crescimento amplia a lacuna

Grande parte disso se deve ao crescimento. Muitos bancos se expandiram por meio de aquisições e diversificação regional, e comercialmente essa estratégia funciona. Mas cada aquisição traz consigo seu próprio sistema core bancário, seu próprio modelo de dados, sua própria lógica de tomada de decisão. Depois de algumas rodadas disso, uma instituição deixa de operar uma única plataforma e passa a operar uma federação frouxa de sistemas parcialmente conectados, cada um com suas próprias regras e sua própria versão do cliente.

Nada disso reflete uma estratégia ruim: é simplesmente o que acontece com a arquitetura em escala, e a lacuna se amplia a cada negociação.

Nem os bancos mais sólidos estão imunes

Isso não se limita a bancos que crescem por aquisição. Grupos tão consolidados e bem administrados quanto Absa e Standard Bank absorveram custos reais ligados à modernização de sistemas legados, incluindo perdas tecnológicas associadas à substituição de plataformas e à reprioritização estratégica.

Esses não são itens contábeis isolados: são um sinal de que a arquitetura bancária se tornou um alvo móvel, no qual os sistemas legados se depreciam mais rápido do que os ciclos de investimento criados para sustentá-los.

Bancos digitais nativos também irão enfrentá-la

Os bancos digitais nativos estão do outro lado dessa equação. Revolut, Salt Bank, Discovery Bank, Bank Zero e TymeBank, para citar alguns, foram construídos com infraestrutura nativa em nuvem, design API-first e dados em tempo real desde o primeiro dia.

Mas, à medida que escalam, assumem mais complexidade regulatória e ampliam seu portfólio de produtos, encontrarão sua própria versão da mesma limitação. A lacuna de arquitetura não é um problema de sistemas legados: é um problema de escala, e todo banco acaba esbarrando nela.

A arquitetura se tornou a estratégia

Historicamente, os bancos podiam tratar a estratégia de negócios e a execução tecnológica como conversas separadas. Isso já não é mais realista. A capacidade de um banco de competir hoje depende da rapidez com que consegue lançar novos produtos, da eficiência com que consegue orquestrar decisões em tempo real, da eficácia com que consegue levar a IA do piloto à produção, da rapidez com que consegue se adaptar a novas regulamentações e da consistência da experiência entre os canais.

Tudo isso depende da arquitetura, não da capacidade digital no sentido tradicional.

O que a IA muda

A maioria dos bancos está investindo pesadamente em IA nas áreas de fraude, risco de crédito, cobrança e engajamento do cliente. Mas a IA não opera de forma independente dos sistemas ao seu redor. Ela depende de dados limpos, conectados e em tempo real, de uma visão única do cliente, de uma tomada de decisão incorporada ao negócio em vez de adicionada posteriormente, e de uma orquestração que funcione em toda a empresa.

A pergunta que vale a pena fazer

A pergunta para os líderes bancários não é se devem modernizar ou investir em IA. A maioria já está fazendo isso, e os investimentos vão continuar. A verdadeira pergunta é se a arquitetura subjacente consegue sustentar a instituição que estão tentando se tornar.

Os bancos que fecharem essa lacuna não serão necessariamente os maiores nem os mais rápidos. Serão aqueles que tratarem a arquitetura, e as decisões que passam por ela, como um ativo estratégico, e não apenas como um item de TI.

Giovanni Hofmeyer, Senior Sales Executive - Provenir

Giovanni Hofmeyer

Escrito por

Senior Sales Executive, Provenir

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Governança de IA nos serviços financeiros

Governança de IA nos serviços financeiros: o que significa colocar a IA sob governança na prática

A inteligência artificial chegou a um ponto em que sua presença já é dada como certa. Todas as plataformas de software estão incorporando capacidades de IA, os provedores de tecnologia consolidados estão adicionando inteligência a produtos que existem há décadas, e empresas totalmente novas estão surgindo com IA em seu núcleo.

Para as instituições financeiras, porém, essa aceleração tecnológica cria uma conversa diferente. A pergunta não é mais se a IA pode ser adotada, e sim se ela pode ser adotada sem que se perca o controle sobre as decisões que realmente importam.

O setor bancário sempre foi construído sobre a confiança. Cada decisão de concessão de crédito, investigação de fraude, avaliação de capacidade de pagamento ou interação com o cliente carrega consequências que vão muito além da tecnologia. Elas afetam a vida financeira dos clientes, a reputação da instituição e a confiança no próprio sistema financeiro. A IA sem dúvida tem o potencial de melhorar esses resultados, mas a mesma capacidade que gera valor pode, com a mesma facilidade, amplificar decisões ruins se for introduzida sem a disciplina necessária para governá-la adequadamente.

Na Provenir, costumamos pensar na adoção da IA como um iceberg. Acima da superfície estão as capacidades que chamam atenção nas manchetes: automação, personalização, interfaces de linguagem natural e uma tomada de decisão muito mais rápida. Abaixo da superfície está o trabalho que determina se essas capacidades geram valor sustentável ou introduzem novos riscos operacionais: vieses que só aparecem em escala, desvio do modelo (model drift), dependência excessiva das recomendações da IA, e sistemas que funcionam bem em projetos-piloto, mas enfrentam dificuldades diante da complexidade da produção real. Raramente são falhas da própria IA; são falhas de governança.

Para as instituições financeiras de Nível 1, isso importa porque elas não estão tentando se tornar empresas de IA. Elas passaram décadas construindo uma infraestrutura de tomada de decisão resiliente, capaz de atender milhões de clientes sob padrões regulatórios exigentes.

O desafio é fortalecer essa base com IA, não substituí-la. O objetivo é melhorar os resultados para o cliente sem comprometer o controle, a resiliência e a responsabilização já existentes.

É por isso que vemos a regulamentação, incluindo o AI Act da União Europeia, como um facilitador, e não como uma barreira. Uma boa regulamentação define as condições sob as quais a inovação pode escalar de forma responsável. Ao exigir rastreabilidade, supervisão humana, documentação e responsabilização, ela oferece às organizações um framework para implantar a IA com segurança nos processos que mais importam.

No fim das contas, a conversa nunca deveria começar pela tecnologia. Deveria começar pelo resultado. O cliente nunca vivencia um modelo de linguagem. Ele vivencia se um empréstimo foi aprovado de forma justa, se uma fraude foi detectada rapidamente, se uma reclamação foi tratada adequadamente, ou se ele foi atendido com empatia em um momento de dificuldade financeira. A tecnologia só tem valor se esses resultados para o cliente melhorarem.

Isso também define o que realmente significa colocar uma “IA sob governança”. Governança não é simplesmente conectar um LLM a um fluxo de trabalho. Ela abrange tudo o que envolve essa solução: como ela foi projetada, como foi testada, como a equidade foi avaliada, como o desempenho é monitorado, como o desvio é detectado, se cada decisão pode ser rastreada, explicada e auditada, e por quanto tempo as evidências que a sustentam são mantidas. Essas são as perguntas que responsáveis por conformidade, auditores e reguladores precisam cada vez mais que as instituições respondam com segurança.

Talvez o princípio mais importante seja que a responsabilização nunca é transferida para a tecnologia. A IA pode gerar recomendações e automatizar tarefas cada vez mais sofisticadas, mas nunca é responsável pelos resultados que produz. Essa responsabilidade permanece sempre com as pessoas. À medida que a IA se torna mais capaz, a responsabilidade humana torna-se mais importante, e não menos.

No fim, toda decisão de IA é um equilíbrio entre valor e risco. A governança é o que permite às organizações ajustar esse equilíbrio, reduzindo o risco e, ao mesmo tempo, aumentando o valor que a IA pode entregar com segurança. Ela dá a confiança necessária para introduzir a IA onde ela gera melhorias significativas, reconhecendo que, em algumas situações, uma abordagem mais tradicional ainda pode ser a melhor escolha.

Por isso é importante pensar na governança como uma série consciente de escolhas de design, e não como uma lista de controles a serem marcados. Há situações em que uma pessoa deve permanecer diretamente envolvida em cada decisão, como na gestão de clientes vulneráveis, porque o julgamento e a responsabilização vão além do que a IA deveria fornecer de forma independente. Há outras, como o monitoramento de transações, em que a automação pode operar com segurança em grande escala, desde que existam mecanismos robustos de monitoramento, alertas e escalonamento.

O objetivo nunca deve ser maximizar a automação por si só. Deve ser maximizar os resultados para o cliente, gerenciando o risco de forma adequada. Em algumas situações, a IA deve apoiar uma pessoa na decisão final, mantendo o ser humano firmemente no processo. Em outras, ela pode automatizar com segurança decisões rotineiras, desde que monitoramento e governança robustos sejam mantidos. E sempre haverá situações em que a IA simplesmente não é a tecnologia certa. A decisão deve sempre refletir o equilíbrio entre valor, risco e os controles disponíveis para gerenciar esse risco.

Em muitos aspectos, esta é simplesmente a próxima etapa de uma jornada que o setor de serviços financeiros já percorreu antes. Os bancos primeiro desenvolveram cultura de risco, depois cultura de dados, e agora cultura de IA. As instituições que terão sucesso não serão necessariamente as que implantam mais IA, mas sim as que entendem onde ela gera valor genuíno, onde as abordagens tradicionais continuam mais adequadas, e como combinar as duas dentro de um framework de governança em que clientes, reguladores e conselhos de administração possam confiar.

mike

Mike Holmes

Escrito por

Head of Data Science, Provenir

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Regulação na LATAM e Responsabilização nas Decisões

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O que a regulação na América Latina significa para instituições de crédito

Os dias em que compliance, supervisão regulatória e proteção de dados eram tratados como funções separadas estão chegando ao fim.

A América Latina é hoje uma das regiões de crescimento mais relevantes em serviços financeiros digitais. Bancos, fintechs e instituições de crédito estão utilizando dados em tempo real, dados alternativos e decisões orientadas por IA para ampliar o acesso ao crédito, fortalecer a detecção de fraude e tomar decisões mais rápidas em escala.

Mas a questão do compliance mudou.

Já não basta demonstrar que os dados pessoais foram coletados de forma lícita e protegidos com segurança. As organizações agora precisam explicar como esses dados influenciaram uma decisão, se eram confiáveis e se o resultado foi justo, proporcional e devidamente governado. Essa é a transição em curso na região: do compliance em proteção de dados para a responsabilização na tomada de decisão.

O panorama regulatório torna isso mais complexo. A América Latina não é um mercado único. Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru estão, cada um, desenvolvendo suas próprias abordagens em relação à privacidade, à regulação de IA, às transferências internacionais de dados e à tomada de decisão automatizada, com cronogramas e prioridades distintos.

Uma estratégia de decisão desenvolvida para um país não pode ser implementada sem alterações em toda a região. Os requisitos legais locais, as expectativas regulatórias, a qualidade dos dados e as condições de mercado precisam estar refletidos em como as decisões são construídas, governadas e explicadas.

É aqui que a arquitetura de uma plataforma de decisão faz a diferença.

A Provenir oferece um ambiente de decisão configurável que permite aos clientes manter a consistência global enquanto adaptam regras, fluxos de trabalho e estratégias às exigências de cada mercado. Os clientes mantêm o controle sobre suas bases legais, fontes de dados, políticas de risco e objetivos de decisão, apoiados por visibilidade, controles de acesso e auditabilidade que os reguladores esperam ver cada vez mais.

O framework de compliance mais amplo da Provenir reflete essa abordagem. A certificação ISO/IEC 27001, os controles contratuais de proteção de dados, os acordos de transferência internacional e a supervisão de suboperadores já são elementos estabelecidos. A Provenir também está implementando um framework de gestão de IA alinhado à norma ISO/IEC 42001 e aos requisitos legais emergentes nos mercados em que atuamos. Esse trabalho fortalece a governança em torno do risco de IA, da responsabilização, da transparência e da gestão do ciclo de vida — as áreas em que o escrutínio regulatório mais cresce.

A oportunidade na América Latina é real, mas não se define apenas pela velocidade. As organizações capazes de entrar em novos mercados, apoiar a inclusão financeira e escalar operações com decisões comprovadamente governadas estarão em uma posição mais forte do que aquelas que tratam o compliance como uma preocupação retrospectiva. A próxima fase da regulação na LATAM vai testar se as organizações conseguem demonstrar que suas decisões baseadas em dados são lícitas, seguras,justas e explicáveis. Essa capacidade precisa ser incorporada à arquitetura de decisão desde o início, e não adicionada posteriormente.

O compliance não é uma limitação para a inovação nesta região. É a condição que torna possível uma inovação sustentada.

mike

Claire Hartley

Escrita Por

Chief Compliance Officer, DPO – Provenir

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