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Industry: Bancário

Arquitetura: A Próxima Batalha Competitiva do Setor Bancário

A Lacuna de Arquitetura: A Próxima Batalha Competitiva do Setor Bancário

A Lacuna de Arquitetura:

A Próxima Batalha Competitiva do Setor Bancário

Os bancos passaram a última década perseguindo a transformação digital. Aplicativos móveis, migração para a nuvem, onboarding digital e uma onda de pilotos de IA dominaram a agenda, e o investimento foi real. No entanto, muitas instituições ainda lidam com os mesmos problemas com que começaram: lançamentos de produtos lentos, jornadas de cliente fragmentadas, custos operacionais crescentes e pressão de concorrentes digitais mais ágeis.

O que está por trás de tudo isso é a arquitetura: a distância cada vez maior entre o que um banco quer fazer comercialmente e o que sua tecnologia e dados subjacentes realmente conseguem suportar.

Chamemos isso de lacuna de arquitetura. Ela raramente aparece em um documento de estratégia ou em um roadmap de transformação. Aparece na execução: um produto que deveria levar seis semanas leva seis meses, uma solicitação de rotina precisa de revisão manual, um piloto de IA não consegue avançar além do único caso de uso para o qual foi criado. No setor bancário essa lacuna está aumentando.

Como o crescimento amplia a lacuna

Grande parte disso se deve ao crescimento. Muitos bancos se expandiram por meio de aquisições e diversificação regional, e comercialmente essa estratégia funciona. Mas cada aquisição traz consigo seu próprio sistema core bancário, seu próprio modelo de dados, sua própria lógica de tomada de decisão. Depois de algumas rodadas disso, uma instituição deixa de operar uma única plataforma e passa a operar uma federação frouxa de sistemas parcialmente conectados, cada um com suas próprias regras e sua própria versão do cliente.

Nada disso reflete uma estratégia ruim: é simplesmente o que acontece com a arquitetura em escala, e a lacuna se amplia a cada negociação.

Nem os bancos mais sólidos estão imunes

Isso não se limita a bancos que crescem por aquisição. Grupos tão consolidados e bem administrados quanto Absa e Standard Bank absorveram custos reais ligados à modernização de sistemas legados, incluindo perdas tecnológicas associadas à substituição de plataformas e à reprioritização estratégica.

Esses não são itens contábeis isolados: são um sinal de que a arquitetura bancária se tornou um alvo móvel, no qual os sistemas legados se depreciam mais rápido do que os ciclos de investimento criados para sustentá-los.

Bancos digitais nativos também irão enfrentá-la

Os bancos digitais nativos estão do outro lado dessa equação. Revolut, Salt Bank, Discovery Bank, Bank Zero e TymeBank, para citar alguns, foram construídos com infraestrutura nativa em nuvem, design API-first e dados em tempo real desde o primeiro dia.

Mas, à medida que escalam, assumem mais complexidade regulatória e ampliam seu portfólio de produtos, encontrarão sua própria versão da mesma limitação. A lacuna de arquitetura não é um problema de sistemas legados: é um problema de escala, e todo banco acaba esbarrando nela.

A arquitetura se tornou a estratégia

Historicamente, os bancos podiam tratar a estratégia de negócios e a execução tecnológica como conversas separadas. Isso já não é mais realista. A capacidade de um banco de competir hoje depende da rapidez com que consegue lançar novos produtos, da eficiência com que consegue orquestrar decisões em tempo real, da eficácia com que consegue levar a IA do piloto à produção, da rapidez com que consegue se adaptar a novas regulamentações e da consistência da experiência entre os canais.

Tudo isso depende da arquitetura, não da capacidade digital no sentido tradicional.

O que a IA muda

A maioria dos bancos está investindo pesadamente em IA nas áreas de fraude, risco de crédito, cobrança e engajamento do cliente. Mas a IA não opera de forma independente dos sistemas ao seu redor. Ela depende de dados limpos, conectados e em tempo real, de uma visão única do cliente, de uma tomada de decisão incorporada ao negócio em vez de adicionada posteriormente, e de uma orquestração que funcione em toda a empresa.

A pergunta que vale a pena fazer

A pergunta para os líderes bancários não é se devem modernizar ou investir em IA. A maioria já está fazendo isso, e os investimentos vão continuar. A verdadeira pergunta é se a arquitetura subjacente consegue sustentar a instituição que estão tentando se tornar.

Os bancos que fecharem essa lacuna não serão necessariamente os maiores nem os mais rápidos. Serão aqueles que tratarem a arquitetura, e as decisões que passam por ela, como um ativo estratégico, e não apenas como um item de TI.

Giovanni Hofmeyer, Senior Sales Executive - Provenir

Giovanni Hofmeyer

Escrito por

Senior Sales Executive, Provenir

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Governança de IA nos serviços financeiros

Governança de IA nos serviços financeiros: o que significa colocar a IA sob governança na prática

A inteligência artificial chegou a um ponto em que sua presença já é dada como certa. Todas as plataformas de software estão incorporando capacidades de IA, os provedores de tecnologia consolidados estão adicionando inteligência a produtos que existem há décadas, e empresas totalmente novas estão surgindo com IA em seu núcleo.

Para as instituições financeiras, porém, essa aceleração tecnológica cria uma conversa diferente. A pergunta não é mais se a IA pode ser adotada, e sim se ela pode ser adotada sem que se perca o controle sobre as decisões que realmente importam.

O setor bancário sempre foi construído sobre a confiança. Cada decisão de concessão de crédito, investigação de fraude, avaliação de capacidade de pagamento ou interação com o cliente carrega consequências que vão muito além da tecnologia. Elas afetam a vida financeira dos clientes, a reputação da instituição e a confiança no próprio sistema financeiro. A IA sem dúvida tem o potencial de melhorar esses resultados, mas a mesma capacidade que gera valor pode, com a mesma facilidade, amplificar decisões ruins se for introduzida sem a disciplina necessária para governá-la adequadamente.

Na Provenir, costumamos pensar na adoção da IA como um iceberg. Acima da superfície estão as capacidades que chamam atenção nas manchetes: automação, personalização, interfaces de linguagem natural e uma tomada de decisão muito mais rápida. Abaixo da superfície está o trabalho que determina se essas capacidades geram valor sustentável ou introduzem novos riscos operacionais: vieses que só aparecem em escala, desvio do modelo (model drift), dependência excessiva das recomendações da IA, e sistemas que funcionam bem em projetos-piloto, mas enfrentam dificuldades diante da complexidade da produção real. Raramente são falhas da própria IA; são falhas de governança.

Para as instituições financeiras de Nível 1, isso importa porque elas não estão tentando se tornar empresas de IA. Elas passaram décadas construindo uma infraestrutura de tomada de decisão resiliente, capaz de atender milhões de clientes sob padrões regulatórios exigentes.

O desafio é fortalecer essa base com IA, não substituí-la. O objetivo é melhorar os resultados para o cliente sem comprometer o controle, a resiliência e a responsabilização já existentes.

É por isso que vemos a regulamentação, incluindo o AI Act da União Europeia, como um facilitador, e não como uma barreira. Uma boa regulamentação define as condições sob as quais a inovação pode escalar de forma responsável. Ao exigir rastreabilidade, supervisão humana, documentação e responsabilização, ela oferece às organizações um framework para implantar a IA com segurança nos processos que mais importam.

No fim das contas, a conversa nunca deveria começar pela tecnologia. Deveria começar pelo resultado. O cliente nunca vivencia um modelo de linguagem. Ele vivencia se um empréstimo foi aprovado de forma justa, se uma fraude foi detectada rapidamente, se uma reclamação foi tratada adequadamente, ou se ele foi atendido com empatia em um momento de dificuldade financeira. A tecnologia só tem valor se esses resultados para o cliente melhorarem.

Isso também define o que realmente significa colocar uma “IA sob governança”. Governança não é simplesmente conectar um LLM a um fluxo de trabalho. Ela abrange tudo o que envolve essa solução: como ela foi projetada, como foi testada, como a equidade foi avaliada, como o desempenho é monitorado, como o desvio é detectado, se cada decisão pode ser rastreada, explicada e auditada, e por quanto tempo as evidências que a sustentam são mantidas. Essas são as perguntas que responsáveis por conformidade, auditores e reguladores precisam cada vez mais que as instituições respondam com segurança.

Talvez o princípio mais importante seja que a responsabilização nunca é transferida para a tecnologia. A IA pode gerar recomendações e automatizar tarefas cada vez mais sofisticadas, mas nunca é responsável pelos resultados que produz. Essa responsabilidade permanece sempre com as pessoas. À medida que a IA se torna mais capaz, a responsabilidade humana torna-se mais importante, e não menos.

No fim, toda decisão de IA é um equilíbrio entre valor e risco. A governança é o que permite às organizações ajustar esse equilíbrio, reduzindo o risco e, ao mesmo tempo, aumentando o valor que a IA pode entregar com segurança. Ela dá a confiança necessária para introduzir a IA onde ela gera melhorias significativas, reconhecendo que, em algumas situações, uma abordagem mais tradicional ainda pode ser a melhor escolha.

Por isso é importante pensar na governança como uma série consciente de escolhas de design, e não como uma lista de controles a serem marcados. Há situações em que uma pessoa deve permanecer diretamente envolvida em cada decisão, como na gestão de clientes vulneráveis, porque o julgamento e a responsabilização vão além do que a IA deveria fornecer de forma independente. Há outras, como o monitoramento de transações, em que a automação pode operar com segurança em grande escala, desde que existam mecanismos robustos de monitoramento, alertas e escalonamento.

O objetivo nunca deve ser maximizar a automação por si só. Deve ser maximizar os resultados para o cliente, gerenciando o risco de forma adequada. Em algumas situações, a IA deve apoiar uma pessoa na decisão final, mantendo o ser humano firmemente no processo. Em outras, ela pode automatizar com segurança decisões rotineiras, desde que monitoramento e governança robustos sejam mantidos. E sempre haverá situações em que a IA simplesmente não é a tecnologia certa. A decisão deve sempre refletir o equilíbrio entre valor, risco e os controles disponíveis para gerenciar esse risco.

Em muitos aspectos, esta é simplesmente a próxima etapa de uma jornada que o setor de serviços financeiros já percorreu antes. Os bancos primeiro desenvolveram cultura de risco, depois cultura de dados, e agora cultura de IA. As instituições que terão sucesso não serão necessariamente as que implantam mais IA, mas sim as que entendem onde ela gera valor genuíno, onde as abordagens tradicionais continuam mais adequadas, e como combinar as duas dentro de um framework de governança em que clientes, reguladores e conselhos de administração possam confiar.

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Mike Holmes

Escrito por

Head of Data Science, Provenir

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Além dos Scores de Crédito Tradicionais: Como os Dados Alternativos estão Revolucionando a Inclusão Financeira

Além dos Scores de Crédito Tradicionais:
Como os Dados Alternativos estão Revolucionando a Inclusão Financeira

No setor de serviços financeiros, a questão não é se você consegue emprestar de forma responsável, mas sim se consegue identificar clientes creditáveis que os métodos tradicionais não detectam. Para milhões de potenciais tomadores de empréstimo em todo o mundo, históricos de crédito incompletos ou a completa ausência nos bureaus de crédito tradicionais criam uma barreira intransponível para o acesso a serviços financeiros. A análise de crédito baseada em dados alternativos, impulsionada por inteligência artificial, está mudando essa realidade, um dado de cada vez.

O Mercado Oculto dos Invisíveis para o Crédito

Quase 35 milhões de brasileiros são “invisíveis para o crédito”, ou seja, não possuem histórico de crédito em agências de crédito nacionais. Globalmente, esse número sobe para mais de 1,7 bilhão de adultos que permanecem sem conta bancária ou com acesso limitado a serviços bancários. Esses não são necessariamente tomadores de empréstimo de alto risco; eles são simplesmente invisíveis para os métodos tradicionais de pontuação, que dependem fortemente dos dados dos bureaus de crédito.

Isso representa tanto um enorme mercado inexplorado quanto uma profunda oportunidade para a inclusão financeira. O desafio reside em avaliar a capacidade de crédito sem os marcadores tradicionais, e é exatamente aí que os dados alternativos se destacam.

A Vantagem da IA na Análise de Crédito Alternativa

A análise de crédito baseada em dados alternativos utiliza IA para examinar fontes de dados não tradicionais que revelam padrões de credibilidade invisíveis aos métodos convencionais de pontuação. Essas fontes de dados incluem:
  • Análise de fluxo de caixa, que avalia renda e padrões de gastos em tempo real, incluindo:

    • Históricos de pagamento de serviços de telecom e utilidades, que demonstram comportamento consistente de pagamento
    • Fluxos de renda da economia gig, que verificações tradicionais de emprego podem não capturar
    • Dados de transações via open banking, que fornecem uma visão abrangente da atividade financeira
  • Dados comportamentais e psicométricos

    incluindo padrões de uso de dispositivos móveis e avaliações psicométricas que indicam responsabilidade financeira
  • Análise de redes sociais

    capaz de identificar esquemas de fraude enquanto respeita a privacidade
Algoritmos de machine learning identificam padrões sutis – como pagamentos consistentes de serviços públicos combinados com uso estável de celular – que possuem forte correlação com a probabilidade de pagamento de empréstimos.
A IA combina esses diversos fluxos de dados para criar perfis de risco coerentes que a pontuação tradicional não consegue alcançar.

O Impacto no Mundo Real

Instituições financeiras que implementam estratégias de dados alternativos impulsionadas por IA relatam resultados significativos:
  • 15-54%

    Aumento do mercado endereçável em 15% a 40%, já que candidatos anteriormente “impossíveis de pontuar” se tornam viáveis
  • 60%

    Redução de até 60% nos processos de análise manual, através de decisões automatizadas
  • Inclusão

    mais responsável, com taxas de inadimplência permanecendo estáveis ou até melhorando em comparação aos métodos tradicionais
Para os tomadores de crédito, a análise baseada em dados alternativos significa acesso a crédito para educação, desenvolvimento de negócios e emergências financeiras que, de outra forma, permaneceriam fora de alcance.

O Desafio da Integração de Dados

Implementar com sucesso a análise de crédito baseada em dados alternativos exige uma síntese inteligente entre múltiplas fontes de dados. As abordagens mais eficazes combinam dados tradicionais de bureaus (quando disponíveis) com fontes alternativas para criar perfis de risco abrangentes.

A IA se destaca nesse desafio de integração. Diferentemente de sistemas baseados em regras, que enfrentam dificuldades com inconsistências de dados, modelos de machine learning podem atribuir pesos dinâmicos a diferentes fontes conforme seu valor preditivo para segmentos específicos de clientes.
Um recém-formado com histórico de crédito limitado, mas com credenciais educacionais fortes e padrões consistentes de pagamentos digitais, pode receber uma avaliação favorável – algo que a pontuação tradicional deixaria passar.

Mercados Emergentes: O Campo de Testes Definitivo

A análise de crédito baseada em dados alternativos encontra suas aplicações mais marcantes em mercados emergentes, onde a infraestrutura tradicional de crédito ainda está subdesenvolvida. Nesses ambientes, modelos de IA podem analisar:
  • Padrões de transações de dinheiro móvel, indicando estabilidade de fluxo de caixa
  • Dados agrícolas, no caso de agricultores que buscam crédito sazonal
  • Taxas de conclusão educacional e certificações profissionais
  • Envolvimento comunitário e indicadores de reputação local
Instituições financeiras que operam nesses mercados relatam que modelos de dados alternativos impulsionados por IA frequentemente superam as pontuações tradicionais, mesmo quando ambas estão disponíveis – porque capturam padrões comportamentais mais sutis e em tempo real.

Considerações Regulatórias e IA Ética

À medida que a adoção de dados alternativos acelera, os frameworks regulatórios estão evoluindo para tratar preocupações relacionadas a empréstimos justos (fair lending). Os dados alternativos devem promover, e não prejudicar, os objetivos de inclusão financeira. Isso exige:
  • Governança de modelos transparente

    capaz de explicar claramente os fatores envolvidos nas decisões
  • Monitoramento de vieses

    para evitar resultados discriminatórios
  • Conformidade com privacidade de dados

    respeitando os direitos dos consumidores sobre suas informações
  • Validação contínua de modelos

    para garantir precisão preditiva entre diferentes grupos demográficos

O Caminho para a Implementação Estratégica

Para instituições financeiras que consideram adotar análise de crédito baseada em dados alternativos, as abordagens mais bem-sucedidas seguem um progresso estruturado:
  • Iniciar com parcerias de dados
    que forneçam fontes de dados alternativos confiáveis e compatíveis com regulações
  • Realizar pilotos com segmentos específicos onde a pontuação tradicional demonstra limitações
  • 3. Implementar governança robusta de modelos desde o início garantindo conformidade regulatória
  • Escalar gradualmente monitorando resultados entre diferentes grupos de clientes
  • Aprimorar continuamente as fontes de dados e o desempenho dos modelos com base nos resultados

Olhando para Frente: O Futuro do Crédito Inclusivo

A análise de crédito baseada em dados alternativos representa uma mudança fundamental em direção a avaliações de risco mais inclusivas e precisas. À medida que as capacidades de IA continuam avançando e as fontes de dados se tornam mais ricas, podemos esperar abordagens ainda mais sofisticadas que combinem dados tradicionais e alternativos de forma integrada.

As instituições que dominarem essa integração:

  • Ampliarão seus mercados endereçáveis
  • Criarão vantagens competitivas em aquisição de clientes
  • Melhorarão gestão de risco
  • Reforçarão a conformidade regulatória

Mais importante ainda, contribuirão para um sistema financeiro mais inclusivo, capaz de atender de forma eficaz populações historicamente mal atendidas.

O futuro do crédito combina métodos tradicionais com insights impulsionados por IA, revelando a credibilidade financeira em todas as suas formas. Para milhões de consumidores invisíveis ao crédito ao redor do mundo, esse futuro não chega cedo demais.

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